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Conar suspende 2 propagandas da Petrobras Imprimir E-Mail
domingo, 20 de abril de 2008


-------- Mensaje original --------
Asunto: *Conar suspende 2 propagandas da Petrobras*
Fecha: Sun, 20 Apr 2008 14:12:19 -0300
De: Julianna Malerba <julianna@fase.org.br>
Referencias: <4808A1C1.5050907@br.greenpeace.org>



*Conar suspende 2 propagandas da Petrobras*

*Ação, acatada pelo conselho, afirma que empresa faz publicidade 
enganosa ao divulgar ações de preservação ambiental *

*Segundo a ação, empresa mantém no mercado um diesel extremamente 
poluente, que afeta a saúde da população*

*AFRA BALAZINA*

DA REPORTAGEM LOCAL

O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) 
decidiu ontem suspender a veiculação de duas campanhas publicitárias 
da Petrobras em que a empresa destacava suas ações de preservação do 
meio ambiente. O conselho acatou o argumento de que se tratava de 
propaganda enganosa da empresa.

A decisão ocorreu em razão de uma ação movida pelos governos estaduais 
de São Paulo e de Minas Gerais, pela Prefeitura de São Paulo e por ONGs.

De acordo com a ação, a Petrobras faz propaganda enganosa ao manter no 
mercado um diesel extremamente poluente -com alta concentração de 
enxofre, que é cancerígeno e afeta a saúde da população.

A ação pede que o Conar "suste a divulgação de todas as campanhas que 
abordem sua sustentabilidade empresarial e responsabilidade 
socioambiental, vez que como demonstrado estes compromissos não 
existem na prática".

No site do Conar, a única menção à decisão diz que a suspensão foi 
decidida "por maioria de votos". Não há justificativa para a decisão.

As entidades afirmam que a empresa fala recorrentemente em suas 
campanhas e anúncios publicitários sobre seu compromisso com a 
qualidade ambiental e com o desenvolvimento sustentável. "Entretanto, 
essa postura que é transmitida por meio da publicidade não condiz com 
os esforços para uma atuação social e ambientalmente correta".

O secretário municipal de São Paulo, Eduardo Jorge (Verde e Meio 
Ambiente), que desde 2005 insiste para que a Petrobras coloque no 
mercado um diesel menos poluente, disse que "a decisão foi exemplar".

O secretário estadual Xico Graziano (Meio Ambiente) concorda. Para 
ele, a decisão é "uma vitória ética fundamental porque o Conar, no 
fundo, defende o consumidor". "Ficou comprovado que a Petrobras tem 
uma conduta inadequada."

Marcelo Furtado, do Greenpeace, afirma que o Conar ontem "repudiou a 
maquiagem verde". "Isso é fundamental para estimular as empresas que 
querem fazer sustentabilidade com seriedade a continuarem. E dá um 
sinal para aquelas que querem arriscar enganar o público e não cumprir 
leis de que não há mais espaço para picaretagem", afirmou.

Na opinião de Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, a decisão é 
histórica na área da responsabilidade social e vai criar 
jurisprudência. "A decisão indica que para se mostrar socialmente 
responsável a empresa precisa agir da mesma forma em relação a todos 
os seus públicos", diz.

O Conar não se manifestou sobre a decisão. A assessoria de imprensa do 
conselho apenas informou que a decisão ocorreu por maioria dos votos.

*Enxofre*

O diesel distribuído pela Petrobras tem alta concentração de enxofre: 
são 500 ppm (partes por milhão) desse poluente nas regiões 
metropolitanas e 2.000 ppm no interior. Países da Europa têm 50 ppm e 
o Japão, 10 ppm, por exemplo.

A resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente estabeleceu 
novos limites de emissão de poluentes que devem ser atendidos pelos 
veículos. Para isso, é preciso passar a usar o diesel 50 ppm e motores 
com catalisadores a partir de 1º de janeiro de 2009.

No ano passado, no entanto, a Petrobras afirmou que faria a 
distribuição de diesel menos poluente somente quando os veículos 
disponíveis no mercado tivessem motores com tecnologia semelhante à 
européia. E a Anfavea (associação dos fabricantes de veículos) afirmou 
que tem, por lei, um prazo até novembro de 2010 para colocar os novos 
veículos no mercado.

*Outro lado*

*Empresa não comenta a decisão*

DA REPORTAGEM LOCAL

A Petrobras afirmou, por e-mail, que "ainda não foi comunicada 
oficialmente sobre qualquer decisão do Conar".

Cristiane Carvalho Lage, advogada que defendeu a empresa na reunião 
promovida pelo Conar ontem, disse após o término da votação que iria 
aguardar o inteiro teor da decisão para se manifestar.

De acordo com ela, o resultado seria levado para sua gerência 
superior, que avaliaria as medidas que a Petrobras tomará no caso.

Ainda segundo Lage, essa foi a primeira vez que a empresa "foi 
demandada no Conar".

O conselho afirma que cabe recurso. Se a empresa optar por recorrer, 
haverá outra reunião no Conar, num prazo de 30 a 60 dias, com a 
presença de conselheiros diferentes dos que estiveram ontem na 
primeira decisão.

Até que haja um novo julgamento, entretanto, as campanhas não podem 
ser veiculadas. O Conar possui 90 conselheiros titulares e 90 suplentes.

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