MAIPPA
Articulación por un movimiento de afectados
por la industria petrolera
en países amazónicos
Encuentro de grupos afectados por la exploración de petróleo y gas en la cuenca amazónica PDF Imprimir Correo electrónico
Lunes 21 de Abril de 2008 07:41

Considerações acerca do encontro em Rio Branco (Acre/Brasil), em Agosto de 2007, entre grupos afetados pela exploração de petróleo e gás na bacia amazônica

Julianna Malerba
Esta dirección electrónica esta protegida contra spambots. Es necesario activar Javascript para visualizarla

Um aspecto do pensamento dominante é a tendência a pensar o meio ambiente como algo uno - composto de mares, rios, florestas, animais, etc quando, na verdade, os sentidos dados aos recursos que compõem o meio ambiente são diversos, pois são culturais e históricos. Dada a desigualdade de poder na definição sobre o uso dado aos recursos, as formas distintas de apropriação dos recursos tendem a ser invisibilizadas no momento de implementação de um projeto, tendo consequências desastrosas sobre as comunidades diretamente impactadas.

A realidade da exploração de petróleo na Amazonia peruana, onde vivem diversos povos indígenas, e sua expansão para a região amazônica brasileira oferece exemplos claros disso. Atualmente há 26 lotes petrolíferos na amazónia peruana que incidem sobre territórios de comunidades nativas e 3 que se encontram sobrepostos a 4 reservas territoriais. Os movimentos indígenas vem denunciado diversos impactos que tem desestruturado seus modos de vida - diminuição dos estoques de caça, poluição de rios, aumento das invasões para extração de madeira decorrente da abertura de estradas são algumas dessas denuncias. Pese o fato de que a expansão da fronteira de exploração petrolífera na Amazônia peruana tem crescido vertiginosamente em um intervalo de tempo muito curto (dados da Perupetro revelam que em 2004 8,7 milhões de hectares da Amazônia peruana estavam loteados para exploração de hidrocarbonetos; em 2007 essa área já atingia 48 milhões de ha).


As demandas que, em geral justificam a implementação de grandes projetos de exploração mineral, como vem sendo a exploração de petróleo na Amazónia Peruana ou Equatoriana (também área de moradia de diversos povos indígenas) são, geralmente de caráter nacional ou internacional. A localização desses projetos, em geral, é definida em função de critérios e estratégias distanciados das lógicas que presidem o cotidiano local. Por essa razão sua implementação é, em geral tida, como favas contadas, como vem sendo dito pela imprensa local em Rio Branco, no Acre, na fronteira do Brasil com o Peru, onde tem sido vislumbrada pelo governo federal e políticos locais a exploração de petróleo.


O caso do Acre


A iniciativa de prospecção de petróleo e gás no Acre tem sido um exemplo paradigmático da ausência de debate publico em torno dos efeitos previsíveis das obras de infra-estrutura, dos fluxos de capitais, pessoas e mercadorias, dos deslocamentos migratórios para os já precários centros urbanos e dos impactos sobre a floresta e as populações tradicionais que nela habitam que uma agenda viária e energética que está sendo construída para a região prevê.

Na região que compreende o estado do Acre está prevista uma serie de ações incluídas na IIRSA que vão desde o asfaltamento - já em curso - da BR364 que liga o Mato Grosso à cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, como a conexão viária e energética de Cruzeiro do Sul com a cidade peruana de Pucallpa, além do recente anuncio sobre a intenção do governo federal de iniciar a prospecção de petróleo e gás no alto Juruá, através de um anuncio da Agencia Nacional de Petroleo, no inicio de 2007, de que lançaria um edital para contratar serviços aerograviometricos para etapa sísmica, que pegou de surpresa os movimentos locais.


Ainda que políticos ligados ao Acre tenham afirmado, que ha mais de 6 anos vinham fazendo gestões junto ao governo federal para dar inicio a exploração, a população e o movimento social acreano, conforme documentos divulgado publicamente, não foram ouvidos e receberam com surpresa o anúncio. Tão grave quanto isso, foram as discussões que então tomaram lugar na imprensa local que defendiam que o Acre poderia ter uma fonte de recursos para investir na qualidade de vida da população e desqualificava as vozes criticas que reivindicavam uma debate mais amplo em torno dos benefícios e prejuízos de um projeto de exploração petrolífera e gasifica em uma área onde estão situadas 29 terras indígenas, boa parte das áreas de conservação do estado, alem de seringais tradicionalmente ocupados por populações que vivem do extrativismo e da agricultura e onde há 32 projetos destinados pelo INCRA para a reforma agrária.


Vale destacar que algumas das medidas definidas para minimizar o impacto do asfaltamento da BR-364 entre os Katukina da TI Campinas, ainda hoje, passado anos, não foram implementadas de modo adequado - como, por exemplo, o diagnóstico do estoque faunístico que daria as bases para a elaboração e execução pelos índios de um plano de manejo de caça1. A pavimentação provocou sérias mudanças na vida dos Katukina, no que tange a sua dieta alimentar, alem do aumento das invasões de caçadores na terra e da violência em seu entorno. Pesquisadores que vem acompanhando a questão questionam o fato de que "se os Katukina até agora não foram devidamente assistidos naquilo que foi previsto no início do asfaltamento da estrada, que garantia terão eles de que os novos impactos serão minimizados e compensados no futuro próximo, com a exploração petrolífera, se planos de mitigação mais simples, antes acordados, não foram implementados?"2.


É assim que analisando o histórico de muitos desses empreedimentos para os grupos locais, eles, muitas vezes surgem, de forma repentina, quando os relatórios de impacto ambiental já estão prontos e o pedido de licenciamento correndo no órgão ambiental correspondente. Para aqueles aos quais foi negada a possibilidade de construção do projeto de forma participativa o empreendimento nasce eterno, se colocando, no horizonte dos sujeitos, como um fato consumado.


Os movimentos sociais tem insistido que os processos de definição sobre os projetos de desenvolvimento a serem implementados nos territórios tem de ser feitos de maneira realmente participativa e que considere o diferencial de poder e a diversidade sociocultural nas formas de apropriação do meio ambiente. Parte essencial desse processo deve ser a identificação dos grupos sociais que perdem e ganham com a implementação dos projetos e o fortalecimento desses grupos como sujeitos politicos.


Nesse contexto e tendo como paradigma a necessidade de garantir a participação real dos grupos nas definições sobre uso dos recursos de seus territórios no inicio de 2007 organizações do Acre se articularam com grupos e organizações que vem discutindo no Brasil e em outros países da bacia amazónica os impactos das atividades petrolíferas para os povos e grupos sociais nos territórios onde essa exploração vem avançando.


Essa articulação resultou em um encontro, realizado em Agosto do mesmo ano, em Rio Branco que reuniu representantes de varias etnias indígenas do Estado do Acre e de organizações de assessoria aos movimentos socais locais, alem de representantes de povos indígenas do Equador, Peru e Bolívia que tem a comum a experiencia de resistência aos impactos dessas atividades em seus territórios e, também, membros do Instituto Socioambiental (ISA) e da FASE, do Brasil, da secretaria regional da rede de resistência Oilwatch, da Youth for Environment Sanity - YES e Rainforest Action Network - RAN, ambas sediadas nos Estados Unidos.


O Encontro, que aconteceu entre os dias 11 e 14 de Agosto no sitio da Comissão Pró Índio do Acre, foi uma momento importante de intercambio entre grupos que já vivem a realidade da exploração petrolífera em seus territórios e populações que potencialmente estão sendo afeadas pelo projeto de prospecção no Acre e que haviam sido alijadas do processo de decisão tomado pelo governo com relação a exploração petrolífera nessa área.


Alem de tomarem contato com a experiencia real vivida por companheiros indígenas de outros países, se apropriando de elementos e informações importantes para o debate e a resistência local, os indígenas e as organizações da sociedade civil acreana ali reunidas deram um passo importante no sentido de criar uma articulação regional mais ampla em torno de sua posição critica a opção petrolífera em seus territórios, saindo do isolamento em que se encontravam quando o anuncio sobre a exploração foi feita no Acre e fortalecendo-se como sujeitos politicos com uma posição critica a estratégia do "fato consumado", adotada pelos interesses locais e nacionais na prospecção de petróleo na Amazônia.



Acre, Agosto 2007

1 Txai Terri Valle de Aquino & Marcelo Piedrafita Iglesias. Petróleo, gás, estradas e populações tradicionais no Alto Juruá, 2007 (mimeo)

2 idem

 

Julianna Malerba: Tecnica da FASE e membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e da Rede Oilwatch

Última actualización el Martes 22 de Abril de 2008 02:40
 
  MAIPPA, Articulación por un movimiento de afectados por la industria petrolera en países amazónicos